(Imagem: Philip Dulian/DPA)
Escrever é um processo cognitivo difícil porque é o mecanismo pelo qual estruturamos o pensamento lógico. É o esforço de conectar palavras que nos obriga a organizar ideias, encontrar falhas em nossos argumentos e sintetizar conceitos.
Ao delegar a redação de e-mails, relatórios e textos para ferramentas de AI, estamos terceirizando o próprio ato de pensar.
Os primeiros estudos científicos sobre o tema mostram as consequências dessa facilidade:
*Aqui no Brasil, universitários que usaram AI para estudar tiveram um desempenho significativamente inferior em testes surpresa do que aqueles que leram e estudaram de forma tradicional.
*No Reino Unido, o uso sistemático de AI para tarefas cognitivas apresentou uma associação direta com o declínio na capacidade de pensamento crítico dos participantes.
Então, estamos diante de um novo analfabetismo funcional?
O que o artigo descreve não é o analfabetismo tradicional, as pessoas ainda decodificam palavras nas telas, mas sim a perda da capacidade de pensar criticamente sobre o que está escrito. Estamos nos tornando "pós-alfabetizados".
Como aponta o filósofo Kwame Anthony Appiah, se abrirmos mão do esforço analítico da leitura e da escrita, tornaremos-nos seres humanos cognitivamente diferentes.
A leitura profunda deixou de ser um hábito comum para se tornar um superpoder de nicho. Conseguir focar, analisar e tirar as próprias conclusões de um texto original, sem a mediação de resumos ou algoritmos de AI, é o verdadeiro diferencial intelectual da nossa época.
(Por: the news)